sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Um Zen-poeta-zumbi-alcoólatra.

Caminho com as mãos nos bolsos, um cigarro na boca e só.
passa por mim um cachorro em busca de comida ou um lugar seco pra domir.
sinto pena, mas admiro sua liberdade tão estranha.
Sigo olhando tudo, mas sem foco algum.
tremo com uma súbita rajada de vento que passa. madrugada fria.
não tem mais ninguem na rua.

A rua as 4 da manhã não parece a mesma de 12 horas antes.
ninguem comendo salgado na esquina,
fumando cigarros mentolados
ou comprando seda pra apertar um baseado.

Me sinto bem melhor por aqui quando ela está vazia.

Olho o Mercado fechado e, por tras dele, a pedreira,
a mesma pedreira que consigo ver da minha casa
mas nunca lembro de olhar,
talvez por ter me acostumado com sua beleza constante.

As palmeiras no alto balançam com o mesmo vento que faz meu queixo bater.
e as folhas balançam junto com meus cabelos.


Resolvi esperar mais um pouco antes de subir.
vou curtir a companhia das palmeiras antes de dormir.
Talvez, até o sol sair
ou só ate o cigarro terminar de queimar.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Banquete e convidados


Cães avançam uns sobre os outros
disputando um prato com comida podre.
Um velho mendigo os observa
com pena, abaixa a cabeça e chora.

Abre uma pequena sacola

Despeja sobre a calçada
arroz, feijão e, talvez, um pedaço de carne
se põe de quatro e os convida

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Povo

Deixem que morram em suas greves de fome
são seres marginais que não mais nos respeitam
e servem apenas para demonstrar o poder que temos

deixem que morram extraindo diamantes
pois já extraimos sua energia o suficiente
e diamantes lapidados valem mais que mil vidas

deixem que morram cortando cana
pois de um corte em seus braços não escorre sangue
escorre lucro

servem apenas para alimentar o medo e manter o controle,
para extrair riquezas em troca de migalhas,
para sangrar pelo nosso poder, pelo progresso da nação
que jamais zelará por eles. que apenas espera que continuem
com braços fortes enquanto forramos os bolsos
e disseminamos a complacência

domingo, 13 de junho de 2010

Fraco

Quando a estrada não deslumbra a vista embaçada
que não sente alegria com a poeira que a cobre,
já, há muito, são idas as forças que sustentavam
essa carne podre, angustiada e desesperada.

Buscando sentido em meus prazeres
me desfaço da vergonha e da satisfação.
Descubro não existir prazer pleno
nem vontade que dure vida inteira.

Seria mesmo necessaria a adequação
a todas as ideias que me parecem inúteis
para alcançar contentação maior,
sua presença?

terça-feira, 20 de abril de 2010

awakened

o estado de semi-consciência insone é tão interessante quanto peculiar.

as coisas simplesmente passam por você. Você deixa de ser dono da sua percepção.
tudo se transmuta em vultos, sussuros e odores tênues e vagos.
as idéias perdem o rumo com facilidade.
a mente inebriada traz delirios mágicos aos olhos que quase desabam de minuto em minuto.
é uma droga com efeitos revolucionarios aos sentidos, desejos e necessidades.
a fome é diferente, o estômago não se contrai como normalmente faz...
a dor tambem não é a mesma. não lateja, não é aguda.
ao inves disso, tanto a fome quanto a dor, se manifestam da mesma forma,

como um vazio. de calor, de ação.

a letargia insone traz paz.
quando o mundo parar de dormir será belo.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Letargia. Insone, Puto e Doente

Dá vontade de arremessar o copo contra a parede, mas o ombro dói.
Descansando, espero a dor e a raiva passarem.
Dá vontade de sair à rua para comprar uma garrafa de vodka ou cachaça,
aquecer a garganta arranhada e as idéias confusas, mas as pernas doem.
Dá vontade de mandar tudo à merda, rasgar desenhos e torcer para que as lembranças sigam o papel no lixo,
mas a idiotice impede o idiota de se tornar livre do que o aflige.

Uma simples volta na praia me faria bem, mas a sinusite ataca e a dor de cabeça é forte.

Permaneço deitado, ouvindo uma notícia no rádio ou vendo um programa na televisão. Não vejo lógica em Nenhum dos dois.
Permaneço deitado, criticando qualquer informação que possa chegar a mim.

Chega, vou dormir de olhos fechados.